Laís Viegas de Valenzuela

Belezas e particularidades da língua portuguesa

agosto 16, 2023 | by ipsislitteris.com

Além de bela, precisa e clara, a língua portuguesa possui, entre outras, certas particularidades que as outras línguas (pelo menos, as suas irmãs neolatinas) não têm; por exemplo, o futuro do subjuntivo.

Se é que algumas (como o espanhol) possuem esse tempo/modo, não a usam com a mesma frequência e aplicação com que nós, brasileiros, a empregamos, não é um tempo muito usado em outros idiomas, enquanto que para nós tem um uso frequente e indispensável, a ponto de os seus falantes sentirem muita falta do seu emprego, ao usarem outras línguas que não o incluem.

Essas formas são:

Quando, se eu (ou você, ele ou ela) quiser (v. querer), quisermos, quiserem

Quando, se eu (ou você, ele ou ela) disser (v. dizer), dissermos, disserem

Quando, se eu puder (ou você, ele ou ela) (v. poder), pudermos, puderem

Quando, se eu puser (ou você, ele ou ela) (v. pôr), pusermos, puserem

Quando, se eu estiver (ou você, ele ou ela) (v. estar), estivermos, estiverem

Quando, se eu tiver (ou você, ele ou ela) (v. ter), tivermos, tiverem

Quando, se eu for (ou você, ele ou ela) (v. ser ou ir), formos, forem

Quando, se eu vir (ou você, ele ou ela) (v. ver), virmos, virem

Quando, se eu vier (ou você, ele ou ela) (v. vir), viermos, vierem

Na maioria dos verbos regulares, a forma do futuro do subjuntivo iguala a do verbo no infinitivo, acrescida das desinências relativas a cada pessoa.

Quando, se eu cantar (ou você, ele ou ela) (v. cantar) cantarmos, cantarem

E assim por diante, para todos os verbos regulares, quer da 1ª, 2ª, 3ª ou 4ª conjugações.

Exemplos do emprego dos verbos mencionados:

  1. Quando você lhe disser seu nome, ele lhe dirá o seu.
  2. Se eu puder, farei tudo para ajudá-la.
  3. Se você estiver com vontade de sair, podemos ir a qualquer lugar.
  4. Quando eu tiver dinheiro, comprarei aquele lindo vestido.
  5. Se eu for, levarei você.
  6. Quando você vir alguém acidentado, ajude!
  7. Se você vier, eu ficarei muito contente.
  8. Quando eu cantar, cante comigo! 

Outra particularidade muito singular do português é o infinitivo pessoal:

Trata-se do nome do verbo flexionado, para identificar o sujeito ao qual se está referindo. Este não existe em nenhum outro idioma neolatino, ou seja, derivado do latim, e também é às vezes indispensável para uma escrita ou afirmação correta e precisa. 

Usa-se o infinitivo pessoal, quando o sujeito estiver claramente expresso, ou seja, quando o verbo da oração se refere a uma determinada pessoa.  Por exemplo: Já é hora de nós irmos embora. É mais prudente vocês saírem mais cedo.

O uso desse modo é às vezes polêmico entre os próprios escritores, havendo alguns que preferem usá-lo e outros que acham melhor evitá-lo. Eu prefiro o seu uso, sempre que ele sirva para esclarecer ou tornar mais clara a oração em que será empregado.

Há casos em que seu uso é dispensável, pois o sujeito não está claramente identificado. Por exemplo: Na hora de sair, verifique todas as portas e janelas. 

Não existem propriamente regras para o uso desse modo verbal; pode-se dizer que, mais do que normas precisas, existem tendências e preferências no sentido de sua utilização ou não.

Mas, existem casos em que o seu uso é indispensável, para dar mais clareza à expressão; e, sem nenhuma dúvida, traz muito mais beleza e clareza àquilo que a gente quis dizer.

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