{"id":264,"date":"2023-11-21T17:40:10","date_gmt":"2023-11-21T20:40:10","guid":{"rendered":"https:\/\/ipsislitteris.com\/?p=264"},"modified":"2024-04-15T21:22:40","modified_gmt":"2024-04-16T00:22:40","slug":"racismo-no-brasil-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/2023\/11\/21\/racismo-no-brasil-2\/","title":{"rendered":"Racismo no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>J\u00e1 escrevi com frequ\u00eancia sobre a bondade, a empatia, a caridade e a solidariedade do povo brasileiro, e me espanta depois saber dos atos de barb\u00e1rie e crueldade de que alguns s\u00e3o capazes: como se pode conceber que o nosso povo, t\u00e3o dotado daquelas qualidades positivas de que falamos antes, possa ser capaz de atos t\u00e3o desumanos e injustificados como esse cometido contra o cidad\u00e3o negro Jo\u00e3o Alberto! E num lugar t\u00e3o supostamente educado e respeitador, como parece ser o Rio Grande do Sul, povoado por imigrantes e descendentes de alem\u00e3es e italianos, que sempre demonstraram ser um povo de bons costumes, que vieram juntar-se aos nossos, e n\u00e3o uns b\u00e1rbaros como agora mostraram ser alguns daquela zona! Como podem as pessoas ter a capacidade de bater em outro ser humano, e n\u00e3o descansar nem parar de espancar uma criatura at\u00e9 v\u00ea-la morta, como resultado das atrocidades cometidas em nome da seguran\u00e7a de um estabelecimento comercial, em que ele supostamente infringiu alguma das regras sociais de civilidade e bons costumes?<\/p>\n\n\n\n<p>Causa-me surpresa e indigna\u00e7\u00e3o ver que ningu\u00e9m se tenha proposto a deter essas a\u00e7\u00f5es de atrocidade, impedindo que dois respons\u00e1veis pela seguran\u00e7a tenham ficado cansados at\u00e9 o esgotamento, para ver a sua sanha satisfeita com a capitula\u00e7\u00e3o do outro, s\u00f3 parando de demonstrar o seu poder f\u00edsico e a sua sanha moral ao saberem morto um infrator das regras de conviv\u00eancia social. Ser\u00e1 que nos estamos tornando t\u00e3o desumanos, que n\u00e3o nos importemos com o trucidamento de um dos nossos irm\u00e3os por outros, em desigualdade num\u00e9rica e de condi\u00e7\u00f5es de \u201cautoridade\u201d, at\u00e9 v\u00ea-lo inerte, j\u00e1 sem a m\u00ednima condi\u00e7\u00e3o de se defender, porque ousou rebelar-se contra os donos do capital ou defender seus direitos diante de algum abuso de poder?<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um caso lament\u00e1vel, digno de muita pena, e confesso aqui que n\u00e3o estou muito bem informada dos motivos que levaram a essa contenda, da qual saiu vencida a parte mais fraca. Mas, acho que n\u00e3o h\u00e1 justificativa para um procedimento b\u00e1rbaro como parece ter sido esse: dois seguran\u00e7as da loja se arvoraram em justiceiros e espancaram at\u00e9 \u00e0 morte um cidad\u00e3o que havia entrado naquele estabelecimento comercial para fazer suas compras, acompanhado da mulher, que foi testemunha dessa barb\u00e1rie t\u00e3o cruel e injustificada! N\u00e3o h\u00e1 alega\u00e7\u00e3o que defenda esse crime: \u201cque ele era violento\u201d (<em>para que viol\u00eancia maior do que matar por espancamento um cidad\u00e3o \u2013 negro ou branco ou de qualquer outra cor<\/em>?); \u201cque tinha passagem pela pol\u00edcia\u201d (<em>n\u00e3o cabia aos dois seguran\u00e7as fazer justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os<\/em>); \u201cque deu um soco em um dos policiais\u201d (<em>poderiam revidar ou conter essa viol\u00eancia, por outros meios, sem ter que chegar a um ato t\u00e3o extremo: assassinar uma pessoa, seja ela quem for, em nome da defesa de uma suposta funcion\u00e1ria do supermercado, com quem se desentendeu<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 tenho tido not\u00edcia de muitos fatos acontecidos ultimamente no Brasil, mas este foi um dos que mais me impressionaram: ver at\u00e9 que ponto a nossa popula\u00e7\u00e3o, antes t\u00e3o pacata e hospitaleira, tem-se tornado um povo t\u00e3o desumano e agressivo que mata por qualquer motivo, o mais irracional que seja. Essas a\u00e7\u00f5es me deixam triste, indignada e frustrada, sem argumentos para defender o nosso Brasil contra todas as cr\u00edticas e censuras dos procedimentos da sua gente. Puxa! Onde est\u00e1 aquele povo t\u00e3o receptivo, brincalh\u00e3o e engra\u00e7ado que eu conheci, quando morava a\u00ed? Ser\u00e1 que se converteu em um povo t\u00e3o sofrido, e por isso t\u00e3o desumano, a ponto de n\u00e3o ter o escr\u00fapulo de tirar a vida irresponsavelmente, para saciar a sua sanha de vingan\u00e7a, ou aproveitando essas oportunidades para descontar na vida alheia, preta e pobre, as suas frustra\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais, de preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o, sua ira e ressentimento contra os ricos e poderosos, por n\u00e3o poderem vingar-se contra os mesmos? Cito agora o Eduardo Cunha (<em>que j\u00e1 teve tanta influ\u00eancia no campo pol\u00edtico brasileiro, e agora est\u00e1 preso<\/em>): \u201cDeus tenha miseric\u00f3rdia do Brasil!\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;S\u00f3 Deus tendo miseric\u00f3rdia mesmo, dessa onda de preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o contra a ra\u00e7a negra.<\/p>\n\n\n\n<p>Como diz a Gabriela (<em>cantora e atriz negra<\/em>): o racismo se manifesta de uma maneira t\u00e3o sutil, t\u00e3o dissimulada, que \u00e9 quase imposs\u00edvel protestar contra ele. Como um fato acontecido com a pr\u00f3pria Gaby: ela devia ir a alguma festa elegante, ent\u00e3o pediu um t\u00e1xi de aplicativo, dos mais elegantes que havia. A\u00ed foi para a cal\u00e7ada, esperar o transporte. Viu que chegava um carro de luxo, que passou por ela e foi parar junto a uma mo\u00e7a branca, que tamb\u00e9m esperava na cal\u00e7ada. O motorista perguntou \u00e0 mo\u00e7a se ela era a senhora Gabriela, e a mo\u00e7a branca respondeu que n\u00e3o, que o t\u00e1xi n\u00e3o era para ela. Ent\u00e3o, a Gabriela se aproximou e falou para o motorista: \u201cEu sou Gabriela, que pediu o t\u00e1xi\u201d, e entrou no carro. Mas &#8211; nas palavras dela &#8211; ia se sentindo t\u00e3o mal com aquele incidente, que s\u00f3 ela sabia. (<em>Isto \u00e9, ia pensando, maltratada: na mente do motorista, como poderia uma negra ter pedido um transporte daquela categoria? entre a mo\u00e7a branca que estava na cal\u00e7ada e a negra, que tamb\u00e9m estava esperando, era inconceb\u00edvel que a negra tivesse aquela condi\u00e7\u00e3o<\/em>). Mas, foi um incidente t\u00e3o sutil, n\u00e3o escancarado, que ela n\u00e3o podia nem revidar, pois ele n\u00e3o disse nada, s\u00f3 se comportou com racismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as formas veladas de preconceito racial, o simples fato de n\u00e3o poder dizer a palavra \u201cnegro\u201d ou \u201cpreto\u201d, para se referir \u00e0s pessoas, j\u00e1 denota o preconceito. Dizem \u201cpessoas de cor\u201d ou \u201cmorenita\u201d, \u201cmorena\u201d. No pa\u00eds onde eu moro, dizem assim.&nbsp; E eu n\u00e3o moro na Su\u00e9cia, nem na Dinamarca, Holanda ou Noruega, que s\u00f3 t\u00eam habitantes brancos e educados, assim penso!<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o que uma ra\u00e7a seja melhor do que outra, n\u00e3o \u00e9 isso o que penso; como diz a lei: \u201ctodos s\u00e3o iguais perante a lei\u201d, o que nem sempre \u00e9 bem assim. Parece que h\u00e1 uns bem diferentes de outros, pelo tratamento que recebem diante da pr\u00f3pria lei. Mas, isso \u00e9 outro assunto, do qual possivelmente trataremos em outra oportunidade. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro preconceito existente no Brasil, do qual j\u00e1 falamos em outro artigo, \u00e9 aquele dirigido pelos sulistas aos nordestinos, sem nem mesmo considerar os nossos brilhantes poetas, escritores, compositores, cantores, professores, artistas e qualquer trabalhador de outros campos do conhecimento humano (<em>arquitetos, engenheiros, fil\u00f3sofos, historiadores, antrop\u00f3logos e muitos outros)<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 escrevi com frequ\u00eancia sobre a bondade, a empatia, a caridade e a solidariedade do povo brasileiro, e me espanta depois saber dos atos de barb\u00e1rie e crueldade de que alguns s\u00e3o capazes: como se pode conceber que o nosso povo, t\u00e3o dotado daquelas qualidades positivas de que falamos antes, possa ser capaz de atos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/264"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=264"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/264\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":434,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/264\/revisions\/434"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}