{"id":294,"date":"2023-12-09T15:48:14","date_gmt":"2023-12-09T18:48:14","guid":{"rendered":"https:\/\/ipsislitteris.com\/?p=294"},"modified":"2025-05-10T19:04:27","modified_gmt":"2025-05-10T22:04:27","slug":"nossas-riquezas-nosso-orgulho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/2023\/12\/09\/nossas-riquezas-nosso-orgulho\/","title":{"rendered":"Nossas riquezas naturais: nosso orgulho"},"content":{"rendered":"\n<p>As \u00faltimas not\u00edcias\/informa\u00e7\u00f5es que tenho tido do Brasil v\u00eam repletas de pessimismo, des\u00e2nimo, decep\u00e7\u00e3o, gosto de desgra\u00e7as, viol\u00eancia, corrup\u00e7\u00e3o, desabamentos, homic\u00eddios, estupros, desrespeito, desastres naturais ou n\u00e3o, como as queimadas, enfim, como se o nosso pa\u00eds estivesse constitu\u00eddo s\u00f3 por essas coisas deplor\u00e1veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o prop\u00f3sito de procurar divulgar as coisas boas que ele tem &#8211; e que todo mundo conhece, mas parece esquecer, para lembrar-se apenas da m\u00e1 situa\u00e7\u00e3o que atravessamos, relegando tudo o mais a um plano muito inferior &#8211; quero aqui resgatar as nossas \u201criquezas\u201d <em>(n\u00e3o me refiro \u00e0s materiais, pois essas s\u00e3o bens adquir\u00edveis)<\/em>: vou falar das boas coisas que n\u00f3s temos e que \u00e0s vezes passamos por alto, como se fossem inerentes a todos os demais lugares da terra, o que nem sempre \u00e9 verdadeiro. Como \u00e9 bom amar o que se tem, em vez do que se quer ter <em>(filosofia que eu professo);<\/em> por que n\u00e3o aprender a apreciar nossas imensas riquezas brasileiras? .\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, quero falar da nossa gente: de origem, como povo, somos alegres, bem humorados, hospitaleiros, solid\u00e1rios, prestativos, simples, habilidosos, emp\u00e1ticos, criativos e originais, enfim cheios de boas qualidades <em>(pode ser que a situa\u00e7\u00e3o de prem\u00eancia econ\u00f4mica que agora atravessamos tenha transformado um pouco o car\u00e1ter dos brasileiros, como gente, para converter a maioria em tristes e mal-humorados, mas esta \u00e9 uma caracter\u00edstica conjuntural, devida \u00e0 atual crise financeira, que n\u00e3o poderia deixar de afetar a nossa vida cotidiana)<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Como indiv\u00edduos, eu gostaria de referir-me a alguns em especial, tais como os maravilhosos compositores\/int\u00e9rpretes de m\u00fasica popular que temos: Chico Buarque de Holanda <em>(agora, com muita justi\u00e7a, pr\u00eamio Cam\u00f5es de Literatura)<\/em>, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Toquinho, Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Ivan Lins, Djavan, Marisa Monte, Geraldo Vandr\u00e9, Alceu Valen\u00e7a, Geraldo de Azevedo, Chico C\u00e9sar, Beto Barbosa, Roberto Carlos e Erasmo Carlos, Zeca Pagodinho, Martinho, Zeca Baleiro, Tim Maia, Adriana Calcanhoto, M\u00e1rcio Greyck, os saudosos Vinicius de Morais, Tom Jobim, Jo\u00e3o Gilberto, Noel Rosa, Cartola, Renato Russo, Torquato Neto, Taiguara, Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Clara Nunes, \u00c2ngela Maria, Cauby Peixoto, Dalva de Oliveira, S\u00edlvio Caldas, Nelson Gon\u00e7alves, S\u00e9rgio Cavalcanti, Haroldo Barbosa, Miltinho, Pixinguinha, Ma\u00edsa Matarazzo, Dolores Duran, e grandes compositores\/executores de m\u00fasica erudita, como Heitor Villa Lobos, Carlos Gomes, Nestor de Holanda Cavalcanti, Cussy de Almeida, Alberto Nepomuceno, Radam\u00e9s Gnatalli, nem sempre conhecidos de todo p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 falei, em outros escritos, dos nossos brilhantes escritores e poetas, mas quero mencion\u00e1-los de novo, como uma das nossas &#8220;riquezas naturais&#8221;. Refiro-me aqui aos nossos br00ilhantes poetas Castro Alves, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Augusto dos Anjos, Olavo Bilac, Casimiro de Abreu, Vinicius de Moraes, Gon\u00e7alves Dias, M\u00e1rio Quintana, Rubem Alves e muitos outros que certamente foram esquecidos nesta lista; aos maravilhosos escritores Machado de Assis, Lima Barreto, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Alu\u00edsio de Azevedo, Jos\u00e9 Lins do Rego, Raquel de Queiroz, Clarice Lispector, Carolina Maria de Jesus, Ferreira Goulart, Ariano Suassuna, Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, Humberto de Campos, Gilberto Freire, \u00c9rico Ver\u00edssimo, Jos\u00e9 de Alencar, Greg\u00f3rio de Matos Guerra, M\u00e1rio de Andrade, Mill\u00f4r Fernandes, J\u00f4 Soares, Marcelo Rubem Paiva e muitos outros. <\/p>\n\n\n\n<p>Certamente, esta lista n\u00e3o esgota os nossos autores, vivos ou mortos, como sempre acontece em toda enumera\u00e7\u00e3o. Nem todos v\u00eam \u00e0 mente, e s\u00e3o aparentemente preteridos ou esquecidos, do que me penitencio.&nbsp; Compositores, todos os pa\u00edses t\u00eam, mas qual \u00e9 o pa\u00eds que pode se dar ao luxo de ter um Chico Buarque, um Vinicius de Moraes, um Caetano Veloso, um Toquinho e um Tom Jobim?&nbsp; N\u00e3o s\u00f3 pela quantidade de suas composi\u00e7\u00f5es <em>(do Chico, mais de 300, incluindo coautorias e vers\u00f5es)<\/em>, mas principalmente pela qualidade de suas letras, pela inspira\u00e7\u00e3o das suas can\u00e7\u00f5es <em>(quem tem a ideia de se inspirar num simples caderno escolar para construir uma m\u00fasica linda e emotiva como aquela? Toquinho (O caderno))<\/em>; Chico, que combina o perfeito dom\u00ednio do idioma com frases e jogos de palavras de uma precis\u00e3o po\u00e9tica, rom\u00e2ntica, social, ir\u00f4nica, sensual e ing\u00eanua, e rimas que denotam seu vasto vocabul\u00e1rio, rimando portugu\u00eas com l\u00ednguas estrangeiras v\u00e1rias.. Citamos: Mulheres de Atenas <em>(palavras eruditas, rimas, fina ironia, refer\u00eancias \u00e0 mitologia grega)<\/em>, em parceria com o portugu\u00eas Augusto Boal; a ironia contida em Olhos nos Olhos e Mil perd\u00f5es, Meu guri <em>(de profunda cr\u00edtica social, como tamb\u00e9m a Constru\u00e7\u00e3o)<\/em>, Folhetim, Geny e o zepelim, Bye Bye Brasil <em>(onde mistura, perfeitamente rimadas, express\u00f5es estrangeiras)<\/em>, al\u00e9m da Feijoada Completa, Vai passar <em>(aludindo \u00e0 hist\u00f3ria do Brasil)<\/em>, Eu te amo <em>(romance e sensualidade)<\/em>, Trocando em mi\u00fados <em>(a descri\u00e7\u00e3o real de uma penosa separa\u00e7\u00e3o entre marido e mulher, com a reparti\u00e7\u00e3o dos \u201cbens\u201d dita da maneira mais linda poss\u00edvel)<\/em>; enfim, uma cole\u00e7\u00e3o de primorosas e diversificadas letras, com narra\u00e7\u00f5es ou express\u00f5es de tristeza ou alegria, epis\u00f3dios da nossa vida cotidiana e uma incont\u00e1vel riqueza de fatos brilhantemente referidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, como diz, coberto de raz\u00e3o, o Caetano, \u201co Brasil tem um ouvido musical que n\u00e3o \u00e9 normal\u201d, pois as melodias da maioria das inumer\u00e1veis can\u00e7\u00f5es brasileiras, assim como as vozes de seus artistas \u2013 homens e mulheres \u2013 s\u00e3o incompar\u00e1veis, em qualidade e quantidade: e vozes maviosas o pr\u00f3prio Caetano Veloso, Maria Beth\u00e2nia, Gal Costa, Fagner, Marisa Monte, Maria Gadu, Milton Nascimento, Ivete Sangalo, Nana Caymmi, Faf\u00e1 de Bel\u00e9m, Raquel Cruz, Paula Fernandes, Marisa Monte, Toquinho, Vanessa da Mata, Adriana Calcanhotto, Alcione, Zizi Possi e os saudosos Noel Rosa, Cartola, Herivelto Martins, Pixinguinha, Lu\u00eds Gonzaga, Humberto Teixeira, Belchior, Maysa, e muitos outros, tamb\u00e9m aqui possivelmente esquecidos., como tamb\u00e9m muitos outros que ainda est\u00e3o aparecendo.&nbsp; Estou falando dos j\u00e1 profissionais e conhecidos, mas os an\u00f4nimos de voz maravilhosa tamb\u00e9m s\u00e3o muitos e talentosos, basta ver o The Voice Brasil ou ir a qualquer boteco de esquina para ouvir cantores <em>(homens e mulheres)<\/em> an\u00f4nimos, que deixam a gente de boca aberta.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m integram a nossa riqueza imaterial nossos intelectuais: professores, escritores, fil\u00f3sofos, cientistas, inventores, antrop\u00f3logos, etn\u00f3logos, entre os quais o brilhante Leandro Karnal, professor da valiosa Unicamp, M\u00e1rio Cortella, Pond\u00e9, Cl\u00f3vis de Barros Filho (<em>e outros, cujo nome nem lembro, por estar h\u00e1 muito ausente do Brasil<\/em>), como tamb\u00e9m os nossos cientistas, m\u00e9dicos, engenheiros, arquitetos, linguistas, economistas, pintores, desenhistas e caricaturistas e todos os brilhantes profissionais, inclusive os &#8220;imortais&#8221; da Academia Brasileira de Letras.<\/p>\n\n\n\n<p>Comp\u00f5em ainda esse acervo de gente de bem todos os bons professores, nada famosos, ou pouco conhecidos, como alguns que eu tive a fortuna de encontrar, nos diferentes n\u00edveis acad\u00eamicos que percorri. Cabe reconhecer aqui tamb\u00e9m os meus professores, no modesto estado do Piau\u00ed, como Jos\u00e9 de Arimath\u00e9a Tito Filho, Helena Rocha de Gresland, Lisandro Tito de Oliveira, Edgar Tito de Oliveira  (<em>excelente matem\u00e1tico, embora n\u00e3o t\u00e3o did\u00e1tico como professor<\/em>) e Valdemar Sandes, divertido e muito amigo dos alunos<strong> <\/strong>. Alguns deles, como o Arimath\u00e9a e a Madame Helena, me inspiraram mesmo a seguir a carreira universit\u00e1ria que cursei <em>(Letras Neolatinas)<\/em>, tendo servido com seu exemplo e sabedoria para orientar muitos alunos, como eu, a saberem ouvir sua voca\u00e7\u00e3o e escolherem o que queriam fazer no resto da vida, ou parte dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho not\u00edcias tamb\u00e9m de cientistas, das mais diversas universidades do pa\u00eds inteiro, que fazem pesquisas ou inventam meios, destinados \u00e0 cura ou redu\u00e7\u00e3o dos efeitos daninhos de doen\u00e7as, como o c\u00e2ncer, Zica, mal de Alzheimer, Parkinson, Diabete, ou a minorar, com suas inven\u00e7\u00f5es e descobertas, as impossibilidades provocadas por defici\u00eancias mentais ou motoras, inatas ou adquiridas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se, seguindo a afirma\u00e7\u00e3o de Marx (<em>\u201cA cada um segundo as suas necessidades e de cada um segundo as suas possibilidades\u201d<\/em>), cada um oferecesse aquilo que lhe \u00e9 poss\u00edvel para atender \u00e0 necessidade de cada outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Se, por um lado &#8211; como popula\u00e7\u00e3o \u2013 o povo brasileiro \u00e9 v\u00edtima e \u00e0s vezes agente da viol\u00eancia, dom\u00e9stica ou social, machismo, agress\u00f5es e desrespeito, invas\u00e3o e indiferen\u00e7a, por outro lado, podemos presenciar ou ter not\u00edcia de casos de solidariedade e empatia, como v\u00e1rios acontecimentos recentes, noticiados ou n\u00e3o na imprensa e televis\u00e3o: pobres ajudando pobres a reerguerem-se de situa\u00e7\u00f5es de pen\u00faria extrema, compartilhamento de escassos bens materiais, doa\u00e7\u00f5es e outros atos de ajuda, como ensino e treinamento, sem nenhuma remunera\u00e7\u00e3o, movidos pelo simples ato de ajudar desinteressadamente, e outros n\u00e3o lembrados aqui, por culpa da mem\u00f3ria falha, ou da longa aus\u00eancia do meu pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros, tamb\u00e9m, s\u00f3 de ouvir falar: boas a\u00e7\u00f5es e iniciativas, distribuindo a sua pobreza com quem tem menos ainda, os her\u00f3is an\u00f4nimos, cujos feitos s\u00e3o \u00e0s vezes divulgados pela televis\u00e3o. Eu soube de um homem pobre, do interior de Pernambuco, que cata lixo recicl\u00e1vel, vende o que \u00e9 compr\u00e1vel, e com o dinheiro constr\u00f3i casas para seus vizinhos \u2013 junto com eles \u2013 e&nbsp; j\u00e1 construiu at\u00e9 uma escolinha para as crian\u00e7as sem possibilidade de ir nem mesmo \u00e0s escolas p\u00fablicas, tamanha \u00e9 sua pobreza material; essa escolinha j\u00e1 est\u00e1 provida de material escolar, mesinhas e cadeiras para os alunos, conseguidos com recursos vindos da mesma fonte. Com a ajuda de professores volunt\u00e1rios, ou de boa vontade \u2013 que recebem um sal\u00e1rio irris\u00f3rio, mesmo para ser simb\u00f3lico \u2013 as crian\u00e7as da cidade conseguem entrar no mundo da ilustra\u00e7\u00e3o e, como n\u00e3o era para menos, sabem ser profundamente reconhecidas ao seu benfeitor. Essa \u00e9 s\u00f3 uma das in\u00fameras a\u00e7\u00f5es de solidariedade e empatia de que tenho tido not\u00edcia, mas h\u00e1 muito mais, que at\u00e9 mencionei em outros coment\u00e1rios escritos: seja um professor de esportes, que d\u00e1 aulas gr\u00e1tis para crian\u00e7as carentes, uma cabeleireira que trabalha gratuitamente para melhorar a apar\u00eancia de seus vizinhos, igualmente carentes, que v\u00e3o procurar trabalho; dono de banca de jornal que contrata ajudante e lhe arranja at\u00e9 lugar para dormir, e tir\u00e1-lo do banco de pra\u00e7a onde dormia. Felizmente, s\u00e3o in\u00fameras essas a\u00e7\u00f5es de solidariedade praticadas anonimamente no nosso pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Fatos como esses ajudam a recuperar a perdida cren\u00e7a e a confian\u00e7a no ser humano como possuidor de sentimentos de compaix\u00e3o, empatia e solidariedade para com seus semelhantes, e ter de novo f\u00e9 na vida, enxergar uma sa\u00edda para situa\u00e7\u00f5es de des\u00e2nimo e impot\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Causa tamb\u00e9m vergonha\/pena saber dos casos de corrup\u00e7\u00e3o, compra e venda de consci\u00eancias, imposi\u00e7\u00e3o de trocas de trabalho\/pagamento, gan\u00e2ncia em altos graus e n\u00edveis.&nbsp; \u00c9 uma vergonha que aqueles muito favorecidos economicamente n\u00e3o usem essas possibilidades materiais sobrantes para beneficiar um pouco os que nada t\u00eam, e que vivem em situa\u00e7\u00f5es de car\u00eancia em todos os aspectos da vida: alimenta\u00e7\u00e3o, moradia, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e bem estar material e moral, como consequ\u00eancia da elevada e permanente desigualdade de renda existente no Brasil. Parece que no nosso pa\u00eds as palavras compaix\u00e3o, solidariedade, fraternidade e outras nessa linha se esvaziaram de conte\u00fado entre os estratos de mais altos n\u00edveis econ\u00f4micos <em>(pode haver exce\u00e7\u00f5es),<\/em> dando lugar a uma vaidade excessiva ou uma competi\u00e7\u00e3o desmedida, para ver quem galga as posi\u00e7\u00f5es mais elevadas em mat\u00e9ria de conforto f\u00edsico, esbanjamento de dinheiro, aquisi\u00e7\u00e3o de bens suntu\u00e1rios, viagens frequentes e diversificadas <em>(fugindo de que?)<\/em>, como se o disp\u00eandio ou a acumula\u00e7\u00e3o de dinheiro fosse uma garantia de felicidade, realiza\u00e7\u00e3o e satisfa\u00e7\u00e3o. Parece que essa emula\u00e7\u00e3o chega tamb\u00e9m \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o com ser elegante \u2013 como se essa meta fosse necessariamente garantida com a compra de artigos pessoais de luxo, de famosas grifes e altos pre\u00e7os <em>(bolsas, sapatos, joias, roupas e acess\u00f3rios; como se a eleg\u00e2ncia fosse conquistada com um pre\u00e7o)<\/em> \u2013 na ideia de que tudo que \u00e9 bom tem que ser caro, e de que tudo que \u00e9 caro \u00e9 necessariamente bom e de bom gosto. Talvez, o pior de tudo seja que, muitas vezes, esses bens materiais n\u00e3o preenchem realmente os vazios de quem os adquire, constituindo s\u00f3 uma casca que cobre as car\u00eancias emocionais, afetivas, pessoais e a autoestima das pessoas. Se n\u00e3o h\u00e1 recheio consistente, n\u00e3o h\u00e1 nada que proteja a fragilidade da estrutura interna!&nbsp; N\u00e3o defendo que todo mundo tenha que viver como S\u00e3o Francisco de Assis, e fazer voto de pobreza: isso requer autenticidade, e n\u00e3o fachada, significando de verdade um esfor\u00e7o desmedido para abdicar de tanta mat\u00e9ria e do\u00e1-la aos desconhecidos, que a maioria das pessoas n\u00e3o \u00e9 capaz de fazer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 nenhum pecado ter a vaidade de sentir-se bonita(o) e elegante. Isso consiste, com frequ\u00eancia, na simplicidade e autenticidade, at\u00e9 no exerc\u00edcio da caridade e da filantropia; em dar aos desvalidos um pouco<em> (ou um muito)<\/em> do que nos sobra e a eles falta extremamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 critic\u00e1vel possuir um transporte que nos leve aonde queremos ir, sem ter que ser o mais caro e potente da redondeza <em>(melhor reservar a pot\u00eancia para outras necessidades)<\/em>, nem ter que ser em detrimento das necessidades daqueles realmente desprovidos at\u00e9 mesmo da possibilidade de sobreviv\u00eancia biol\u00f3gica. \u00c9 o c\u00famulo do absurdo &nbsp;ter que admitir que em um pa\u00eds com tanta riqueza aliment\u00edcia, como o Brasil tem, uma parte expressiva da popula\u00e7\u00e3o ainda sofra de fome, porque seus meios econ\u00f4micos n\u00e3o alcan\u00e7am para a aquisi\u00e7\u00e3o de qualquer alimento para suas fam\u00edlias, inclusive porque os meios de produ\u00e7\u00e3o se acham concentrados em poucas m\u00e3os, que t\u00eam de sobra aquilo que falta a uma grande parcela do povo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o poder\u00edamos omitir aqui os nossos recursos\/belezas naturais que, al\u00e9m de inclu\u00edrem o nosso povo e a nossa fauna e flora, tamb\u00e9m contempla os rios, lagos e lagoas, montanhas, planaltos e plan\u00edcies do nosso Brasil, dos quais n\u00e3o falaremos agora. Existe j\u00e1 muita literatura e mapas, textos geogr\u00e1ficos e tur\u00edsticos <em>(espero!)<\/em> difundindo todo o esplendor dessas riquezas, expresso inclusive em n\u00fameros.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas destacaremos aqui a nossa diversificada e bela, ex\u00f3tica e \u00fanica fauna e flora: mam\u00edferos e aves exclusivos, que embelezam e servem \u00e0 natureza; \u00e1rvores, arbustos e ervas que produzem alimentos e outros bens para nutrirem e integrarem a nossa ind\u00fastria, pecu\u00e1ria e agricultura, em linguagem mais moderna, o agroneg\u00f3cio. O nosso pa\u00eds \u00e9 t\u00e3o grande que impossibilita a umas regi\u00f5es de conhecerem o que se produz em outras, como os bons vinhos produzidos na parte nordeste do Rio S\u00e3o Francisco, quase ignorados na regi\u00e3o sul, e os maravilhosos queijos fabricados artesanalmente no estado de Minas Gerais, desconhecidos para o Nordeste e possivelmente o norte, sendo consumidos localmente e exportados para o Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A integra\u00e7\u00e3o de todo o pa\u00eds \u00e9 impossibilitada pelo seu tamanho continental, e as consequentes necessidades e dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o interna desde a cidade de Oiapoque, no Amap\u00e1, at\u00e9 o arroio Chu\u00ed, no Rio Grande do Sul, pontos extremos do nosso pa\u00eds, de norte a sul, representam 4.180 km em linha reta (<em>o que significariam 7 dias e 4 horas de viagem por rodovias, numa dist\u00e2ncia de 5.777 km<\/em>), s\u00f3 mesmo para dar uma ideia das nossas grandes dinens\u00f5es.&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As \u00faltimas not\u00edcias\/informa\u00e7\u00f5es que tenho tido do Brasil v\u00eam repletas de pessimismo, des\u00e2nimo, decep\u00e7\u00e3o, gosto de desgra\u00e7as, viol\u00eancia, corrup\u00e7\u00e3o, desabamentos, homic\u00eddios, estupros, desrespeito, desastres naturais ou n\u00e3o, como as queimadas, enfim, como se o nosso pa\u00eds estivesse constitu\u00eddo s\u00f3 por essas coisas deplor\u00e1veis.&nbsp; Com o prop\u00f3sito de procurar divulgar as coisas boas que ele tem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=294"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":709,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294\/revisions\/709"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}