{"id":338,"date":"2023-12-29T18:07:31","date_gmt":"2023-12-29T21:07:31","guid":{"rendered":"https:\/\/ipsislitteris.com\/?p=338"},"modified":"2025-05-19T16:43:46","modified_gmt":"2025-05-19T19:43:46","slug":"minha-vida-e-minha-forma-de-pensar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/2023\/12\/29\/minha-vida-e-minha-forma-de-pensar\/","title":{"rendered":"MINHA VIDA E MINHA FORMA DE PENSAR"},"content":{"rendered":"\n<p>Eu acho que sou uma pessoa forte. Se n\u00e3o fosse, hoje eu seria complexada, de velha, sem gra\u00e7a, teria complexo de haver nascido no Piau\u00ed, que quando eu nasci era um dos estados mais pobres e atrasados do Brasil, se n\u00e3o o mais pobre\/atrasado. Mas isso n\u00e3o foi assim, nem nunca foi; ao contr\u00e1rio, eu tenho uma autoestima que a maioria das pessoas n\u00e3o tem; sou objetiva, n\u00e3o me atribuo qualidades nem caracter\u00edsticas que n\u00e3o possuo: n\u00e3o sou o m\u00e1ximo, nunca fui bonita, nem rica nem importante, n\u00e3o me orgulho de nada material, nem do lugar onde moro, nem das pessoas que eu conhe\u00e7o, nem das conquistas que j\u00e1 alcancei, mas reconhe\u00e7o que j\u00e1 conquistei muitos lugares ao sol, gra\u00e7as tamb\u00e9m aos ensinamentos e incentivos que meus pais me deram, \u00e0 seguran\u00e7a que me transmitiram e \u00e0 ideia de que a pobreza n\u00e3o \u00e9 um fator de infelicidade nem de limita\u00e7\u00e3o, ou de estancamento, quando a gente nasce com certa dota\u00e7\u00e3o neuronal positiva, como foi o caso da minha m\u00e3e <em>(e acho que o meu, tamb\u00e9m)<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Cresci sendo uma pessoa educada, que podia entrar e sair em qualquer lugar, sem estar constrangida ou sentindo-se inferior. Tive a oportunidade, concedida a poucas pessoas no mundo, de estudar a universidade, o que refor\u00e7ou ainda mais o que eu j\u00e1 tinha recebido como instru\u00e7\u00e3o, come\u00e7ando na b\u00e1sica Escola Modelo, que me deu alicerces bastante firmes para o que viria. Depois, no Col\u00e9gio das Irm\u00e3s, tive a possibilidade de ser colega e amiga de muitas meninas, boas como eu, mas elas ricas, filhas das autoridades mais importantes do estado e da cidade, como a Nazar\u00e9 Freitas, filha do governador, a S\u00f4nia, filha do prefeito municipal, a Raquel, a Vera, filhas de conceituados m\u00e9dicos da cidade. Al\u00e9m disso, a oportunidade de refor\u00e7ar a minha estrutura moral tamb\u00e9m foi recebida nesse col\u00e9gio, embora alguns conceitos fossem de muito exagero moral e religioso. Eu assimilei e aceitei o que gostava, parece, pois n\u00e3o me tornei uma pessoa moralista nem preconceituosa, nem religiosa. Tamb\u00e9m a\u00ed tive a conviv\u00eancia de pessoas negras, gordas, t\u00edmidas, atrevidas e todo tipo de personalidades.<\/p>\n\n\n\n<p>No Liceu, onde cursei o cient\u00edfico (<em>hoje, ensino m\u00e9dio<\/em>), al\u00e9m de ter \u00f3timos colegas, homens e mulheres, e conviver com os meninos de uma forma bem natural, como acontece em um col\u00e9gio misto, estudei com excelentes professores, que chegaram at\u00e9 a influenciar na carreira que eu escolhi: Helena de Gresland (<em>excelente professora de franc\u00eas<\/em>), Arimateia Tito Filho (<em>de portugu\u00eas<\/em>,<em> tamb\u00e9m excelente<\/em>), Odilo Ramos (<em>Qu\u00edmica<\/em>), Lisandro Tito (<em>Geografia<\/em>), James Azevedo (<em>Hist\u00f3ria<\/em>) e Raimundo Wall Ferraz (<em>Hist\u00f3ria<\/em>), Alcoba\u00e7a (<em>Espanhol<\/em>), Valdemar Sandes (<em>Geografia<\/em>), Lu\u00eds Gonzaga Lapa (<em>Matem\u00e1tica<\/em>). A\u00ed tive muitos bons colegas e amigos, como J\u00falio Brito, Bernardo Melo Filho, Dilson Fernandes, Jos\u00e9 Alfeu, Aurora R\u00e9gia, Amparo Rezende, Vanete Moura, Sara Mour\u00e3o, Assis Fortes, L\u00edlian e Leda Parente, Paulo de Tarso, Maria e Socorro, Am\u00e9lia Leal e muitos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Faculdade de Filosofia, onde entrei pela primeira vez no dia do vestibular &#8211; da mesma maneira que no Col\u00e9gio das Irm\u00e3s, para o exame de admiss\u00e3o &#8211; tive \u00f3timos professores: Artur Eduardo Benevides (<em>portugu\u00eas<\/em>), Mois\u00e9s Soriano Aderaldo (<em>portugu\u00eas<\/em>), Padre Lu\u00eds Moreira (<em>italiano<\/em>), Milton Dias (<em>franc\u00eas<\/em>), Lireda Fac\u00f3 (<em>Administra\u00e7\u00e3o Escolar<\/em>), Pedro Paulo Montenegro (<em>espanhol<\/em>), Amorim Sobreira (<em>latim<\/em>), Andr\u00e9 Coyn\u00e9 (<em>franc\u00eas<\/em>) assim como \u00f3timos colegas: Cec\u00edlia Chaves, F\u00e1tima, Leopoldina Colares, Jos\u00e9, os irm\u00e3os maristas Dimas e Spigolon, Adriano Garcia, Joselina, Jeannette Pouchain, Agerson Tabosa, Mary, Raimundinha, Mirtes e certamente outros cujo nome esqueci agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, j\u00e1 trabalhando na Sudene, tive a oportunidade de estudar dois cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, com \u00f3timos docentes, dos quais eu me lembro principalmente do Prof. Telmo Maciel<em> (<\/em>matem\u00e1tica<em>)<\/em>, uma excelente pessoa e professor, muito competente e engra\u00e7ado; dizia: \u201cse n\u00e3o entenderem esses conceitos matem\u00e1ticos comigo, suicidem-se, pois n\u00e3o v\u00e3o entender com ningu\u00e9m mais!\u201d Na verdade, eu n\u00e3o s\u00f3 entendi e aprendi, como tamb\u00e9m nunca esqueci esses conceitos matem\u00e1ticos de \u201cdiscreto\u201d e \u201ccont\u00ednuo\u201d, transmitidos por ele. Nesse mesmo curso, tive outro excelente professor de estat\u00edstica, que dava aula assobiando, enquanto escrevia na lousa c\u00e1lculos e conceitos <em>(n\u00e3o me lembro do nome desse \u00f3timo professor, do que aqui me penitencio!)<\/em>. Mas, eu, que nunca tinha tido contato com Estat\u00edstica, aprendi mesmo todos os conceitos e manejos dessa mat\u00e9ria. Excelente, tamb\u00e9m! Em Fortaleza, tive aulas de alto n\u00edvel com o Antonio Cabral, perito da OIT; \u00f3timo, assim como a Mary Castro. Minha vida sempre esteve repleta de bons professores, seja em Teresina, em Fortaleza (<em>na Faculdade de Filosofia<\/em>), em Recife (<em>no curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Universidade Federal<\/em>) e novamente em Fortaleza <em>(na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Planejamento de Recursos Humanos, no CETREDE<\/em>), a quem rendo hoje a minha tardia, long\u00ednqua e silenciosa homenagem, com o meu reconhecimento e gratid\u00e3o eternos. &nbsp;&nbsp;<strong>&nbsp;<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre gozei (<em>eu e meus irm\u00e3os<\/em>) de bom conceito moral e social no lugar onde nascemos (<em>Teresina, capital do Piau\u00ed<\/em>), apesar da nossa relativa pobreza material; digo relativa porque ambos os meus pais trabalhavam, mor\u00e1vamos razoavelmente (<em>em casa alugada<\/em>), n\u00e3o t\u00ednhamos o conforto de alguns dos nossos amigos e conhecidos, mas estud\u00e1vamos em boas escolas, t\u00ednhamos uma boa alimenta\u00e7\u00e3o, \u00edamos ao cinema, and\u00e1vamos bem vestidos, principalmente minha irm\u00e3 e eu, t\u00ednhamos o b\u00e1sico em nossas vidas, talvez at\u00e9 um pouco mais: sim, porque ainda \u00edamos a festas, em clubes e casas de amigas, visit\u00e1vamos nossas amigas e traz\u00edamos colegas \u00e0 nossa casa. Tive at\u00e9 a oportunidade de ir, de avi\u00e3o, de f\u00e9rias a Bel\u00e9m do Par\u00e1, \u00e0 casa de um primo da minha m\u00e3e, quando eu tinha ainda treze anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Era, isso sim, uma vida muito diferente da de hoje, em que toda crian\u00e7a, mesmo antes de falar e andar, j\u00e1 possui um celular, brinquedos eletr\u00f4nicos e outros dispositivos do mundo inform\u00e1tico. A vida hoje \u00e9 muito individualizada, pois cada pessoa tem o seu pr\u00f3prio celular, com <em>headphones<\/em>, que lhe possibilitam at\u00e9 ouvir m\u00fasica e mensagens de voz, de forma exclusiva, sem que ningu\u00e9m participe nem se intrometa nos seus \u201cinteresses e assuntos\u201d particulares.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que essa vida t\u00e3o exclusiva tamb\u00e9m deve ter suas vantagens, mas, do meu ponto de vista, proporciona um isolamento que \u00e9 muito esquisito e solit\u00e1rio, para quem foi acostumada a ter uma vida t\u00e3o coletiva ou pelo menos familiar, como eu. Isso n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 individualista com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que tamb\u00e9m t\u00eam seus dispositivos isolantes e exclusivos: exclui ainda aqueles que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de possuir tais brinquedos t\u00e3o pr\u00f3prios; ali\u00e1s, n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de ter brinquedos particulares nem coletivos, ficam s\u00f3 de longe, vendo ou ouvindo \u201ca banda passar\u201d.  Sinto at\u00e9 que as desigualdades (econ\u00f4micas, sociais e educacionais) est\u00e3o aumentando, em rela\u00e7\u00e3o ao tempo quem que eramos crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 venho eu, com uma leve alus\u00e3o \u00e0 desigualdade social\/econ\u00f4mica, que \u00e9 uma coisa que me preocupa muito, n\u00e3o porque eu fa\u00e7a parte dos grupos dos \u201cexclu\u00eddos\u201d, ao contr\u00e1rio: com todo o apoio dos meus pais, eu batalhei, enfrentei dificuldades, mas \u201cvenci na vida\u201d e hoje me encontro em uma condi\u00e7\u00e3o social, econ\u00f4mica e emocional muito tranquila, que ainda me d\u00e1 a oportunidade de sentir-me mal por n\u00e3o poder ajudar os meus irm\u00e3os brasileiros, que t\u00eam uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o diferente da minha <em>(em termos sociais, econ\u00f4micos e de moradia e alimenta\u00e7\u00e3o)<\/em>! Todas as vezes em que escrevo sobre isso, tenho uma vontade imensa de chorar, embora saiba que n\u00e3o sou culpada da sua situa\u00e7\u00e3o! Essa impossibilidade de ajudar vem da minha condi\u00e7\u00e3o de viver fora do Brasil: nem posso ajudar fisicamente, nem do ponto de vista material, pois n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es de enviar dinheiro para fora deste pa\u00eds, sem ter que gastar quase o mesmo em comiss\u00f5es banc\u00e1rias, ou em argumentos que pudessem justificar a minha remessa. Se eu ainda morasse no Brasil, com a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que tenho hoje, estou certa de que ajudaria os meus irm\u00e3os brasileiros, inclusive dando parte do meu tempo e trabalho para tentar melhorar a sua vida. N\u00e3o sei se nessa \u00e9poca de pandemia do coronav\u00edrus eu poderia me expor assim, como imagino agora! Mas que eu faria alguma coisa para ajudar, n\u00e3o tenho d\u00favida disso!<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro muito dos meus \u201cpesquisados\u201d do Cabo de Santo Agostinho &#8211; quando eu trabalhava na Sudene \u2013 e fazia pesquisas em um programa, em colabora\u00e7\u00e3o com a Universidade Federal de Pernambuco &#8211; onde via cenas de cortar cora\u00e7\u00e3o! Tenho muita vontade de rever essa \u201cgente humilde\u201d, n\u00e3o s\u00f3 de condi\u00e7\u00e3o, mas humilde tamb\u00e9m de atitude: elas abriam as portas de suas casinhas simples para mim e abriam o seu cora\u00e7\u00e3o para contar todos os insucessos, que eram constantes, ou a sua vida cotidiana, repleta de dificuldades de todo tipo. A ingenuidade era tamanha que uma delas, que j\u00e1 tinha muitos filhos, todos pequenos, barrigudos e raqu\u00edticos, alguma vez me disse que tomava, \u201cde vez em quando, s\u00f3 quando se sentia mal\u201d, as p\u00edlulas anticoncepcionais que lhe davam no posto de sa\u00fade! Que desespero me dava! Tamb\u00e9m sei que n\u00e3o me cabia estar fazendo prele\u00e7\u00f5es sobre a limita\u00e7\u00e3o da natalidade entre eles (eu mesma j\u00e1 era casada e tinha 4 filhas!). Todas as fam\u00edlias trabalhavam como cortadores de cana de a\u00e7\u00facar, uma atividade bastante pesada e esgotante, mesmo. Eles, homens e mulheres, chegavam do corte da cana, suados e cheios de fuligem, pois a cana tem que ser queimada, antes de come\u00e7arem as atividades de corte, e nisso se sujavam, da cabe\u00e7a aos p\u00e9s, da cor deixada pela fuma\u00e7a das queimadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, agora eu fico pensando que as coisas n\u00e3o acontecem quando a gente deseja: quando eu tinha acesso a essas pessoas, n\u00e3o dispunha de dinheiro para ajud\u00e1-las, e agora, que tenho um pouco de dinheiro, j\u00e1 n\u00e3o tenho acesso \u00e0quelas fam\u00edlias!<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho muita saudade do meu povo, dos meus compatriotas do meu Brasil! S\u00f3 de pensar neles, na vida que levavam, me d\u00e1 vontade de chorar, de me lembrar de tanta prem\u00eancia econ\u00f4mica, tanta car\u00eancia de tudo que \u00e9 material! Mas a bondade era sempre presente. N\u00e3o sei por que sinto essa emo\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande, ao me lembrar daquela pobreza! Nunca cheguei a ser t\u00e3o pobre quanto eles eram; em alguma das minhas \u201cvisitas\u201d, uma das mulheres precisou ir \u00e0 cidade (<em>seu lugar de moradia era um pouco mais distante<\/em> <em>da cidade<\/em>), ent\u00e3o me disse, com a maior naturalidade, como se estivesse falando para si mesma: \u201dvou ter que ir ali no Cabo (<em>o centro da cidade<\/em>), e vou virar este vestido pelo avesso, pois est\u00e1 muito sujo\u201d (<em>e era o \u00fanico que ela possu\u00eda<\/em>). Isso me cortava o cora\u00e7\u00e3o: ouvi-la falar com aquela simplicidade em uma coisa que denota um grau de pobreza t\u00e3o absoluta, que constituiria uma vergonha para muita gente, que s\u00f3 pensa em ter um vestido novo a cada vez que tem que ir a qualquer lugar sem a m\u00ednima transcend\u00eancia! Depois que eu envelheci, todas essas futilidades, de ter necessariamente uma roupa nova pra ir a qualquer lugar aonde voc\u00ea precisa ir me provocam quase uma indigna\u00e7\u00e3o, que eu nem sei expressar com palavras! N\u00e3o que eu condene as pessoas por terem coisas materiais, mas porque me parece uma absoluta futilidade, uma superficialidade inexplic\u00e1vel, esse tipo de preocupa\u00e7\u00e3o: ter sempre um vestido novo (<em>indispens\u00e1vel<\/em>) para ir a cada lugar!<\/p>\n\n\n\n<p>Eu sempre fui uma pessoa de cabe\u00e7a muito livre, no sentido de usar qualquer coisa de que eu gostasse, sem me preocupar com o julgamento alheio, se eram ou s\u00e3o adequados ou n\u00e3o as minhas roupas e sapatos, se s\u00e3o novos ou velhos, ou se s\u00e3o das mais finas lojas ou comprados nos mercados e cal\u00e7adas, como \u00e0s vezes \u00e9 o caso. Se eu gostar daquilo, a ponto de vestir ou cal\u00e7ar, n\u00e3o hesito em compr\u00e1-lo por estar sendo vendido na cal\u00e7ada do Banco onde tenho conta, por exemplo, nem de estar experimentando os sapatos naquelas condi\u00e7\u00f5es inadequadas. <\/p>\n\n\n\n<p>E sempre pensei assim, tanto quando eu passava certa necessidade econ\u00f4mica, a\u00ed no Brasil, quanto agora, que n\u00e3o preciso de nada, n\u00e3o por ter demasiado, mas por j\u00e1 ter o bastante para mim, e morar aqui, numa cidade cheia de preocupa\u00e7\u00f5es com coisas materiais, embora n\u00e3o seja um centro de eleg\u00e2ncia como Paris, Inglaterra, Roma, ou mesmo S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro!<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente, o meu marido tamb\u00e9m \u00e9 assim, simples e modesto como eu sou, e embora tenhamos uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que nos permite, inclusive, viajar para o exterior, n\u00e3o temos nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o nem a necessidade de ostentar luxo ou uma posi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica privilegiada!<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que gostamos um do outro por esses gostos t\u00e3o exc\u00eantricos, que fogem \u00e0 maioria das pessoas, sejam pobres ou ricas! N\u00e3o somos ricos, mas tamb\u00e9m n\u00e3o temos necessidades que n\u00e3o possamos satisfazer, seja em mat\u00e9ria de alimenta\u00e7\u00e3o, viagens, roupas ou outros \u201csatisfactores\u201d, como dizem em espanhol. Tamb\u00e9m, n\u00e3o temos luxo de nenhuma natureza: moramos em uma boa casa, nada luxuosa, mas confort\u00e1vel; nosso \u00fanico carro agora \u00e9 grande e bom, mas j\u00e1 tem quase 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim se resume a minha vida: boa companhia, em boa casa, com boa alimenta\u00e7\u00e3o e boas condi\u00e7\u00f5es de moradia; pouco luxo, muito conforto; muita empatia e compaix\u00e3o pelos demais, que n\u00e3o tiveram toda a nossa sorte ou o nosso empenho e disposi\u00e7\u00e3o para trabalhar. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu acho que sou uma pessoa forte. 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