{"id":484,"date":"2024-06-02T19:09:37","date_gmt":"2024-06-02T22:09:37","guid":{"rendered":"https:\/\/ipsislitteris.com\/?p=484"},"modified":"2025-06-16T17:30:10","modified_gmt":"2025-06-16T20:30:10","slug":"o-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/2024\/06\/02\/o-medo\/","title":{"rendered":"O medo"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje, o que me inspirou foi uma palestra do Leandro Karnal, que ele come\u00e7a ludicamente \u2013 j\u00e1 nem sei mesmo a prop\u00f3sito de que &#8211; mas, contando a infantil hist\u00f3ria dinamarquesa  de Hansel e Gretel<em> (no Brasil, Jo\u00e3o e Maria)<\/em>, em que as crian\u00e7as, devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de pen\u00faria dos pais <em>(a mulher era madrasta, n\u00e3o m\u00e3e dos meninos)<\/em>, s\u00e3o deixadas por duas vezes no bosque, para a\u00ed perder-se, como alternativa a morrerem de fome, em casa: da primeira vez, o menininho, astutamente, colocou pedrinhas para indicar o caminho, para que pudessem acertar voltar, o que de fato aconteceu.\u00a0 Os pais, novamente, os levaram ao bosque, com a inten\u00e7\u00e3o de deix\u00e1-los ali, mas desta vez o menino, por n\u00e3o conseguir mais juntar as pedrinhas, colocou pedacinhos de miolo de p\u00e3o, que os passarinhos logo comeram, o que impediu que as crian\u00e7as acertassem o caminho de volta a casa. Sem poder voltar, andaram errantes no bosque, at\u00e9 que se depararam com uma pequena casa toda feita de docinhos, o que fez o encanto dos dois irm\u00e3ozinhos. Come\u00e7aram a comer, e a\u00ed apareceu a dona da casa, que na verdade era uma bruxa (s\u00f3 mesmo antigamente, e nas historinhas infantis, porque hoje s\u00f3 existem bruxas no sentido figurado, isto \u00e9, mulheres cujas caracter\u00edsticas podem caber nesse tipo de figura fant\u00e1stica!).<\/p>\n\n\n\n<p>Fingindo ser muito boa, a bruxa logo p\u00f4s os meninos para dentro de casa, deixou-os comerem os doces, mas logo depois prendeu o menino numa jaula, com o fim de engord\u00e1-lo, para mais tarde comer. Todos os dias, ela vinha ver se ele j\u00e1 havia engordado, pedia que ele colocasse o dedinho para fora da jaula, e via o seu progresso. O menino, astutamente, conseguiu um ossinho das primeiras comidas, e punha para fora, para que ela visse como ele estava. Ent\u00e3o, ela via que ele ainda estava magrinho, e n\u00e3o podia com\u00ea-lo. Um dia, ela se cansou de esperar e disse \u00e0 menina que j\u00e1 ia comer o garoto, assim como estava. A menina, com o pretexto de ajudar a bruxa, ajudou a acender o forno, e quando a bruxa foi ver se j\u00e1 estava quente, a menina empurrou-a para dentro do forno, tendo a megera morrido queimada.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 n\u00e3o me lembro do resto da hist\u00f3ria, que eu tamb\u00e9m j\u00e1 tinha ouvido e lido, quando crian\u00e7a, mas \u00e9 uma narra\u00e7\u00e3o cheia de crueldade, como muitas das historinhas que eu lia ou ouvia, quando era pequena. Eu ficava fascinada (<em>acho que toda crian\u00e7a possui sempre um pouco de sadomasoquismo!<\/em>), mas, depois que cresci, achei que esses \u201ccontos de fadas\u201d eram muito aterrorizantes, ou impressionantes, a ponto de causar profunda pena nas crian\u00e7as. S\u00f3 me lembro de outra historinha com a qual fiquei tamb\u00e9m muito impressionada: <strong>A vendedora de f\u00f3sforos<\/strong>, de Hans Christian Andersen, de cortar o cora\u00e7\u00e3o de qualquer crian\u00e7a sens\u00edvel, como eu era. Essa historinha narra, com requintes de detalhes dolorosos, o trajeto de uma pequena crian\u00e7a, muito pobre, que ia vender f\u00f3sforos na rua, na Noruega ou na Dinamarca, Su\u00e9cia ou Pol\u00f4nia, um desses pa\u00edses muito frios. Ela usava um vestidinho leve, e os p\u00e9s eram cal\u00e7ados apenas com chinelos velhos de sua m\u00e3e, e por isso lhe sa\u00edam dos p\u00e9s, a ponto de terminar por perd\u00ea-los no caminho. Essa hist\u00f3ria acontece na v\u00e9spera do Natal. Por onde ela passava, ia vendo casas iluminadas, em que todos estavam comendo jantares de luxo, o peru do Natal.\u00a0 Enquanto isso, ela ia riscando os f\u00f3sforos que havia sido encarregada de vender, vendo, nas casas ricas, cenas maravilhosas de pessoas comendo ganso assado e outras iguarias. Acendendo outro f\u00f3sforo, via uma bela \u00e1rvore de Natal, rodeada de presentes. \u00a0J\u00e1 cansada de tanto andar, no frio e na neve, com as m\u00e3os e p\u00e9s duros de frio, sem que ningu\u00e9m comprasse os seus f\u00f3sforos, sentou-se no umbral de uma porta. N\u00e3o queria voltar para casa, sem dinheiro, porque seu pai certamente a espancaria, por n\u00e3o levar nada de dinheiro da venda. Imaginou ent\u00e3o que ali, no meio daquelas luzes, entre as estrelas do c\u00e9u, estaria sua av\u00f3, que j\u00e1 havia morrido.\u00a0 Pediu-lhe que a levasse consigo ao c\u00e9u, onde j\u00e1 n\u00e3o haveria frio, nem fome nem preocupa\u00e7\u00f5es. A\u00ed acendeu todos os f\u00f3sforos de uma vez, para continuar vendo a av\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no dia seguinte, ela foi encontrada morta, enregelada de frio, ao lado do pacote de f\u00f3sforos queimados&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Parece que o autor, com essa hist\u00f3ria, desejava chamar a aten\u00e7\u00e3o para as desigualdades existentes em seu pa\u00eds: a pobreza de alguns, com roupas que n\u00e3o eram adequadas para aquele frio inclemente, pois n\u00e3o serviam de abrigo, naquele clima, e com chinelos velhos e grandes, que n\u00e3o protegiam os p\u00e9s, sendo as crian\u00e7as obrigadas a sa\u00edrem na noite, para vender artigos de necessidade, mas para uma crian\u00e7a o que fica \u00e9 a profunda pena daquela menininha, morta de frio e de necessidade, vendo a fartura das mesas das pessoas ricas, os presentes aos quais ela n\u00e3o tinha acesso, uma vida t\u00e3o diferente da que ela mesma levava. Mas, em vez de s\u00f3 despertar sentimentos de piedade ou compaix\u00e3o pelos mais desfavorecidos, a gente sofre com esses sentimentos de pena, tristeza, dor, e uma vontade de poder remediar aquela situa\u00e7\u00e3o de pobreza e necessidade&#8230; \u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez a inten\u00e7\u00e3o desses autores, ao escreverem hist\u00f3rias \u201cinfantis\u201d, ao menos as destinadas \u00e0s crian\u00e7as, fosse retratar a situa\u00e7\u00e3o de pobreza e humildade em que eles mesmos viviam, pelo menos esse dinamarqu\u00eas <em>(Hans Christian Andersen)<\/em>, , para mostrar ao mundo que, mesmo nos pa\u00edses europeus, n\u00e3o existe s\u00f3 alegria e riqueza, mas tamb\u00e9m car\u00eancia e sofrimento; agora, o que isso provoca nas crian\u00e7as \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o de desconforto moral, sentindo-se solid\u00e1rias \u00e0s desgra\u00e7as alheias, ao menos eram esses os meus sentimentos, com essa hist\u00f3ria, especialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Analisando bem todas as outras cl\u00e1ssicas e tradicionais hist\u00f3rias infantis, o que se v\u00ea s\u00e3o narra\u00e7\u00f5es assustadoras, com profecias escabrosas, madrastas m\u00e1s, bruxas maldosas,&nbsp; duendes e ogros, fatos amea\u00e7adores e aterrorizantes, como os fusos de tecer que perfuravam os dedos e faziam dormir para sempre <em>(A Bela Adormecida)<\/em>, ma\u00e7\u00e3s envenenadas &nbsp;<em>(Branca de Neve e os sete an\u00f5es)<\/em> e outros, que n\u00e3o me parecem t\u00e3o indicados para os menorzinhos, mesmo amenizados com outras hist\u00f3rias de fadas benfazejas e fadas madrinhas. S\u00e3o narra\u00e7\u00f5es sombrias, por vezes l\u00fagubres, e fant\u00e1sticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece que os psiquiatras e psic\u00f3logos apoiam e at\u00e9 acham recomend\u00e1vel esse contato das crian\u00e7as de bem curta idade com o sentimento de temor, mas n\u00e3o acho que o medo seja uma emo\u00e7\u00e3o de f\u00e1cil manejo, e pode ser t\u00e3o intenso a ponto de paralisar quem o sente, ou causar outros efeitos desagrad\u00e1veis<em> (fazer com que a crian\u00e7a se urine ao sentir medo, por exemplo)<\/em>. Acho que o medo n\u00e3o \u00e9 bom para as crian\u00e7as! Eu, j\u00e1 adulta, casada, e com filhos, sempre desfazia as amea\u00e7as com que as minhas empregadas tratavam de infundir medo \u00e0s minhas filhas, para que dormissem <em>(por exemplo, dizendo que, se n\u00e3o dormissem logo, o bicho pap\u00e3o viria com\u00ea-las, ou que no quarto escuro havia algum bicho ou outro elemento aterrorizante, se n\u00e3o ficassem quietinhas)<\/em>. Minha atitude era de desmentir essas afirma\u00e7\u00f5es, mostrando \u00e0s minhas crian\u00e7as que n\u00e3o havia nada que as pudesse amedrontar, e acendendo as luzes do apartamento, para que elas vissem que n\u00e3o havia motivo para medo, mesmo quando o quarto estava escuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que infundir terror \u2013 ou simplesmente medo \u2013 \u00e0s crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 nada recomend\u00e1vel, pois as induz a tornarem-se pessoas temerosas e duvidosas, sempre com o medo presente nas suas vidas, sentimento esse que acho que a maturidade n\u00e3o remedia. Acho que a vida j\u00e1 ter\u00e1 oportunidade para fazer as pessoas enfrentarem os medos que forem surgindo, e de reagirem a ele, de forma sadia ou n\u00e3o, segundo as suas oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro de uma hist\u00f3ria, que n\u00e3o faz parte da cole\u00e7\u00e3o dos cl\u00e1ssicos nem famosos autores <em>(sua autora \u00e9 Mary Buarque, e o livro se chama <strong>O Bonequinho de Massa<\/strong>)<\/em>. J\u00e1 nem me lembro muito bem como era a narra\u00e7\u00e3o, mas me provocava um medo terr\u00edvel (<em>sei que o bonequinho dizia algo assim: \u201cai, ning\u00faem me pega, ai, ninguem me passa, &#8230; a\u00ed dizia algo mais, e terminava com o desfecho: sou o bonequinho de massa\u201d<\/em>). Isso me despertava um sentimento de terror, nem sei mesmo por que raz\u00e3o (<em>acho que eu pensava que o bonequinho ia me comer (no sentido pr\u00f3prio &#8211; n\u00e3o figurado, ou fazer algum outro dano<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente, foi uma sensa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o perdurou na minha vida adulta: sou pouco medrosa, mais bem destemida e arriscada. S\u00f3 tenho medo quando realmente h\u00e1 lugar para isso. Meu medo (<em>irracional<\/em>) \u00e9 de alguns insetos, do tipo: barata, lagartixa, lib\u00e9lula, borboleta (<em>bichos que voam)<\/em>, al\u00e9m de ratos, cobras e morcegos. De longe, n\u00e3o me provocam medo os grandes felinos, e at\u00e9 os considero animais lindos <em>(tigre, on\u00e7a, le\u00e3o, leopardo, e outros mam\u00edferos)<\/em>, mas possivelmente porque s\u00f3 os veja em situa\u00e7\u00e3o de absoluta seguran\u00e7a (<em>em zool\u00f3gicos, filmes e programas de televis\u00e3o<\/em>), onde eles aparecem em todo o seu esplendor, beleza e impon\u00eancia, mas sempre longe de me terem acesso.\u00a0 Geralmente, o medo n\u00e3o me paralisa, fazendo com que eu deixe de enfrentar as oportunidades e possibilidades que aparecem. Tenho sempre \u2013 ou quase sempre \u2013 a atitude de enfrentar os desafios, como mudan\u00e7as de cidade ou de pa\u00eds, e at\u00e9 sirvo de exemplo para meus filhos, que t\u00eam a mesma atitude.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Cabe aos psiquiatras, psic\u00f3logos e psicanalistas &#8211; eu acho &#8211; fazerem descobrir as vantagens de ter medo, e ent\u00e3o mostrar como enfrent\u00e1-lo, para que n\u00e3o paralisem as pessoas por ele acometidas. J\u00e1 li artigos que dizem que sentir medo protege as pessoas de atirarem-se em situa\u00e7\u00f5es de perigo, sem terem nenhuma no\u00e7\u00e3o dos riscos que estariam correndo, se n\u00e3o o sentissem. Como acontece com as crian\u00e7as de tenra idade, que se exp\u00f5em \u00e0s vezes a situa\u00e7\u00f5es arriscadas, devido a n\u00e3o terem medo de nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Comigo, aconteceu que a minha filha maior, quando tinha tr\u00eas anos de idade, subiu a uma janela do apartamento onde mor\u00e1vamos, sem grades nem outro tipo qualquer de prote\u00e7\u00e3o, e ficou da\u00ed perguntando pre\u00e7os aos verdureiros que vendiam em uma feira livre montada abaixo, na rua, a uns 40 ou 50 metros de altura da janela onde ela estava em p\u00e9, sem nenhuma no\u00e7\u00e3o do risco de cair. Foram os feirantes da rua que alertaram a empregada, que os ouviu gritando, a plenos pulm\u00f5es: \u201dA menina vai cair!\u201d <\/p>\n\n\n\n<p>Nisso, a empregada os ouviu gritando, tentou abrir a porta do quarto onde a menina estava, mas n\u00e3o p\u00f4de: n\u00f3s est\u00e1vamos trabalhando, a minha filha entrou no quarto, trancou a porta \u00e0 chave, subiu \u00e0 janela e ficou perguntando, muito \u00e0 vontade, sem nenhuma interfer\u00eancia de adultos, os pre\u00e7os das verduras e frutas da feira abaixo (<em>\u201cMo\u00e7o, quanto \u00e9 o abacate? Quanto \u00e9 a laranja?<\/em>&#8220;). A\u00ed foi que eles viram que ela estava na janela, em p\u00e9, e come\u00e7aram a gritar para que algu\u00e9m a tirasse de l\u00e1. <\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, a minha empregada, meio desesperada, foi buscar um martelo e quebrou a abertura de ventila\u00e7\u00e3o da porta, entrou por a\u00ed, e com calma, falou com a minha filha, se aproximou e a desceu da janela.<\/p>\n\n\n\n<p>Acostumada talvez a ser repreendida por algumas pessoas onde antes trabalhava, quando eu cheguei, a empregada ainda estava meio em p\u00e2nico, receosa de que eu a repreendesse por ter quebrado a porta, e a\u00ed me contou a hist\u00f3ria, dizendo que havia feito uma coisa que talvez me deixasse zangada: tinha quebrado a porta; ent\u00e3o, eu a tranquilizei, dizendo que, pelo contr\u00e1rio, eu s\u00f3 tinha que agradecer-lhe por ter tido a iniciativa de quebrar a persiana da porta e ter salvo a minha filha de cair daquela altura, cujas consequ\u00eancias eu n\u00e3o quero nem imaginar!<\/p>\n\n\n\n<p>Esse epis\u00f3dio me revelou dois tipos de atitude: por um lado, a minha filha, a uma altura de 40 metros ou mais, com o destemor do risco de cair dali (<em>acho mesmo que nem lhe passou pela cabe\u00e7a; na verdade, penso que na sua tenra idade, ela nunca poderia supor esse perigo<\/em>); por outro lado, a empregada, sem nenhum fundamento,  deve ter ficado morrendo de medo da minha rea\u00e7\u00e3o, ao saber que ela havia danificado uma coisa material, de algum pre\u00e7o e valor. Acho que n\u00e3o pensou em nenhum momento no ato de coragem que havia tido, \u201catrevendo-se\u201d a quebrar a porta, pelo que eu s\u00f3 poderia estar-lhe agradecida, que foi o que sucedeu. Felizmente, hoje isso \u00e9 s\u00f3 motivo de hist\u00f3ria para contar, com todo mundo rindo dessa aventura! Mas, isso revela outros tipos de medo, que foi o tema do in\u00edcio: a aus\u00eancia de medo da minha filha, o medo da empregada, e o meu medo das consequ\u00eancias potenciais, se nada tivesse sido feito! <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, o que me inspirou foi uma palestra do Leandro Karnal, que ele come\u00e7a ludicamente \u2013 j\u00e1 nem sei mesmo a prop\u00f3sito de que &#8211; mas, contando a infantil hist\u00f3ria dinamarquesa de Hansel e Gretel (no Brasil, Jo\u00e3o e Maria), em que as crian\u00e7as, devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de pen\u00faria dos pais (a mulher era madrasta, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/484"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=484"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/484\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":759,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/484\/revisions\/759"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}