{"id":586,"date":"2024-10-02T18:19:40","date_gmt":"2024-10-02T21:19:40","guid":{"rendered":"https:\/\/ipsislitteris.com\/?p=586"},"modified":"2025-06-16T16:18:52","modified_gmt":"2025-06-16T19:18:52","slug":"educacao-domestica-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/2024\/10\/02\/educacao-domestica-2\/","title":{"rendered":"EDUCA\u00c7\u00c3O DOM\u00c9STICA"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cNem tanto ao mar, nem tanto \u00e0 terra\u201d \u2013 n\u00e3o venho aqui protestar contra algum tipo de severa obedi\u00eancia a estritas regras sociais, que poderiam indicar uma esp\u00e9cie de escravid\u00e3o a essas normas, no sentido de sentir-se obrigado a oferecer sempre uma imagem social perfeita e conquistar a aceita\u00e7\u00e3o de todo mundo, como uma pessoa que se subordina \u00e0s mesmas, como um rob\u00f4 que obedece a todos os comandos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa atitude est\u00e1 na mesma linha de quem faz ou deixa de fazer alguma coisa, pensando no que os demais diriam, quando o mais importante \u00e9 agir ou deixar de faz\u00ea-lo de certa maneira porque isso parte do nosso crit\u00e9rio, da nossa consci\u00eancia de n\u00e3o desrespeitar os demais e de sentir-se mal com voc\u00ea mesmo, mas n\u00e3o por representar uma mera agress\u00e3o das normas sociais.&nbsp; O respeito aos outros deveria ser o principal cuidado de todo mundo; n\u00e3o aquele respeito humano que poderia \u00e0s vezes indicar temor ou servilismo, mas um reconhecimento da considera\u00e7\u00e3o que todo mundo merece, e at\u00e9 constitui uma possibilidade de conviv\u00eancia com os outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Um excessivo acatamento das regras ditadas, impl\u00edcita ou expressamente, pela sociedade, no sentido de procurar aparecer como o modelo ideal, zelando s\u00f3 por manter as apar\u00eancias, pode anular a autenticidade, a naturalidade e a espontaneidade, e at\u00e9 mesmo a liberdade do indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, nada \u00e9 mais desagrad\u00e1vel do que conviver \u2013 mesmo acidental ou ocasionalmente \u2013 com algu\u00e9m que revela uma artificialidade de educa\u00e7\u00e3o que vai contra todas as regras de conviv\u00eancia, e faz voc\u00ea sentir-se \u201cpisando em cascas de ovos\u201d tratando com ela, sentindo no ar um procedimento de clara falsidade, ou um excesso de procedimento estudado.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As normas sociais s\u00e3o vari\u00e1veis no tempo e no espa\u00e7o \u2013 isto \u00e9, o que prevaleceu durante algum tempo como \u201cde bom tom\u201d pode j\u00e1 n\u00e3o estar vigente, assim como o que \u00e9 v\u00e1lido para algumas sociedades pode n\u00e3o s\u00ea-lo para outras. Tamb\u00e9m variam de acordo com as ocasi\u00f5es, algumas exigindo mais formalidade que outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Costumes tais como tirar o sapato na intimidade de uma casa familiar, botar o p\u00e9 em cima da mesa de centro da sua pr\u00f3pria casa, ou lamber os dedos ocasionalmente, colocar os cotovelos em cima da mesa, entrar e sair sem ter que pedir licen\u00e7a n\u00e3o t\u00eam a mesma gravidade em todas as ocasi\u00f5es ou lugares.\u00a0 Em alguns, em que a sociedade \u00e9 mais formal e menos flex\u00edvel, esses gestos de informalidade podem ser tomados como absoluta \u201cfalta de educa\u00e7\u00e3o\u201d, enquanto que outras condutas muito mais graves e que invadem o terreno alheio s\u00e3o tolerados nessa mesma sociedade formal que censura os costumes liberais <em>(muito mais \u201cgraves\u201d &#8211; me parece \u2013 \u00e9 jogar lixo na rua, deixar res\u00edduos em frente \u00e0 casa dos outros \u2013 tais como garrafas ou embalagens vazias de comida, excrementos de seus \u00a0cachorros ou gatos, ou simplesmente deixar que esses animais fa\u00e7am suas necessidades nas cal\u00e7adas alheias, estacionar seu carro indefinidamente em frente a casas de outras pessoas, abandonar <\/em>galhos e ramos de jardim nas esquinas alheias <em>(como frequentemente me acontecia, no bairro fechado em que moro, na esquina da minha casa)<\/em>, estacionar na porta de entrada ou da garagem dos demais, quando os donos da casa e\u00a0 outras pessoas t\u00eam o cuidado e o esfor\u00e7o por manter suas casas sempre limpas, e n\u00e3o p\u00f5em seu pr\u00f3prio carro em frente do port\u00e3o dos outros! Isto, sim, constitui uma agress\u00e3o e um desrespeito aos outros, e fere, incomoda, agride e provoca!<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, alguns desses gestos menos formais o que indicam com frequ\u00eancia \u00e9 que a pessoa se sente livre de fazer o que tem vontade, sentindo-se num ambiente de confian\u00e7a, onde pode agir com espontaneidade, como seus impulsos mandam &#8211; desde que n\u00e3o invadam o direito e o respeito aos demais &#8211; sem se acorrentar a severas regras sociais, que muitas vezes nem cabem na situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, antes de rotularmos algu\u00e9m de mal educado(a), \u00e9 preciso analisar as circunst\u00e2ncias desse ato \u201creprov\u00e1vel\u201d e a cultura a que pertence o indiv\u00edduo censurado; como j\u00e1 dissemos, h\u00e1 sociedades mais convencionais e r\u00edgidas, assim como outras mais flex\u00edveis e espont\u00e2neas \u2013 o mais importante \u00e9, se do ponto de vista de um crit\u00e9rio razo\u00e1vel, essa conduta constitui ou n\u00e3o um desrespeito \u00e0s pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o queremos com isto fazer a apologia da absoluta aus\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o social, porque isso tamb\u00e9m cairia com toda a probabilidade na falta de respeito e de princ\u00edpios, que aqui queremos defender. S\u00f3 pretendemos falar em favor da espontaneidade, da autenticidade e da liberdade que devem prevalecer na conduta humana, mesmo na conduta do indiv\u00edduo como ser social, sem infringir o direito e a liberdade alheios.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 principalmente alertar para os comportamentos, gestos, condutas, pronunciamentos e outras formas de ser, que ferem, infringem, violentam e incomodam ou invadem o campo dos outros.&nbsp; Agora, muito mais importante do que ter o cuidado de n\u00e3o tirar o sapato na rua, falar alto ou colocar os cotovelos na mesa \u00e9 preocupar-se em exercer a pr\u00f3pria liberdade, agir com espontaneidade e conduzir-se com autenticidade, n\u00e3o invadindo nunca \u2013 consciente e voluntariamente \u2013 o terreno dos outros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito v\u00e1lida a postura de quem, mesmo sendo conhecedor dos manuais de instru\u00e7\u00e3o e conduta social, faz a op\u00e7\u00e3o por manter uma atitude mais natural, e se atreve a infringir a rigidez das cartilhas de boas maneiras; analise voc\u00ea se a sua liberdade n\u00e3o estar\u00e1 invadindo o espa\u00e7o alheio! Como uma op\u00e7\u00e3o pessoal, a gente pode optar por n\u00e3o obedecer em sua conduta a todas as regras sociais, se preferir a espontaneidade de proceder; basta saber conduzir-se razoavelmente entre as pessoas, em qualquer lugar; mover-se livremente no seu espa\u00e7o, seguindo as normas de considera\u00e7\u00e3o aos demais, a menos que voc\u00ea esteja num ambiente obrigado ao mais rigoroso acatamento de normas r\u00edgidas. A\u00ed, ou comparece a esses lugares e procura cumprir esses requisitos severos, ou ent\u00e3o n\u00e3o vai a esses ambientes cuja conduta lhe constrange, a menos que a ocasi\u00e3o requeira que voc\u00ea esteja presente, como solidariedade ou apoio \u00e0s pessoas a quem voc\u00ea n\u00e3o pode faltar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNem tanto ao mar, nem tanto \u00e0 terra\u201d \u2013 n\u00e3o venho aqui protestar contra algum tipo de severa obedi\u00eancia a estritas regras sociais, que poderiam indicar uma esp\u00e9cie de escravid\u00e3o a essas normas, no sentido de sentir-se obrigado a oferecer sempre uma imagem social perfeita e conquistar a aceita\u00e7\u00e3o de todo mundo, como uma pessoa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/586"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=586"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/586\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":746,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/586\/revisions\/746"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=586"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=586"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=586"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}