{"id":738,"date":"2025-06-16T16:04:54","date_gmt":"2025-06-16T19:04:54","guid":{"rendered":"https:\/\/ipsislitteris.com\/?p=738"},"modified":"2025-06-18T13:32:33","modified_gmt":"2025-06-18T16:32:33","slug":"as-desvantagens-de-uma-bela-lingua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/2025\/06\/16\/as-desvantagens-de-uma-bela-lingua\/","title":{"rendered":"As desvantagens dessa bela l\u00edngua"},"content":{"rendered":"\n<p>Nem sei como come\u00e7ar! \u00c9 mesmo dif\u00edcil falar sobre uma pessoa que a gente reputa como um dos maiores compositores de todos os tempos e todos os lugares, uma pessoa que tem uma capacidade cr\u00edtica impressionante, uma sensibilidade emocional, e a habilidade e a propriedade de traduzir tudo isso em letras magn\u00edficas, com o emprego de palavras eruditas ou coloquiais, at\u00e9 banais mesmo, com um lugar de destaque e uma precis\u00e3o sem\u00e2ntica ador\u00e1veis, como nunca vi ningu\u00e9m mais fazer. Eu me refiro ao Chico Buarque de Holanda, a quem, ali\u00e1s, j\u00e1 me referi v\u00e1rias vezes, nos meus escritos. As letras dele cont\u00eam aquela do\u00e7ura e aquela naturalidade de quem est\u00e1 s\u00f3 brincando com as palavras, sem pretender fazer das suas letras nem exemplos de erudi\u00e7\u00e3o, nem chegarem a ser premiadas com os \u201cnob\u00e9is\u201d de um estrato cultural superior, embora tenha a capacidade de pertencer facilmente a ele.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um pouco contradit\u00f3ria a minha aprecia\u00e7\u00e3o sobre a l\u00edngua que falamos: se por um lado, eu tenho o maior orgulho de fazer parte do povo brasileiro que fala e escreve <em>(bem)<\/em> essa l\u00edngua, de integrar uma minoria privilegiada, que pertence a uma elite <em>(minorit\u00e1ria, como todas as elites) <\/em>lingu\u00edstica, de n\u00e3o pertencer \u00e0 primeira ou \u00e0 segunda l\u00edngua mais faladas no mundo inteiro, acho genial a gente estar no grupo seleto de pessoas que falam a l\u00edngua portuguesa, embora \u2013 por outro lado \u2013 reconhe\u00e7a que essa nossa exclusividade constitui um entrave lingu\u00edstico que impede ou pelo menos dificulta \u00e0s nossas express\u00f5es art\u00edstico-culturais figurar entre todas as manifesta\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas do globo. Estou certa de que, se o portugu\u00eas fosse uma l\u00edngua mais \u201cpopularizada\u201d no mundo, o Chico &#8211; e talvez outros autores brasileiros \u2013 j\u00e1 teriam recebido essas premia\u00e7\u00f5es que vemos distribu\u00eddas por outros intelectuais de outras l\u00ednguas, tais como o Bob Dylan. Sinto que os nossos escritores n\u00e3o t\u00eam merecido o reconhecimento que seria desej\u00e1vel, se falassem ingl\u00eas, franc\u00eas, italiano ou espanhol. E isso me entristece, porque me parece uma injusti\u00e7a. Dado que n\u00e3o nos entendem, n\u00e3o nos reconhecem!\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Comecei falando do Chico Buarque, e depois mudei para outro tema: \u00e9 que o Chico est\u00e1 invariavelmente vinculado ao portugu\u00eas, esta bela, dif\u00edcil e culta l\u00edngua (aqui, eu discordo do nosso Olavo Bilac), entre as ocidentais! Nossas complexidades, nossa pron\u00fancia e nossas particularidades ex\u00f3ticas nos impedem de estar na popularidade da maioria das l\u00ednguas neolatinas, como o espanhol, por exemplo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem sei como come\u00e7ar! \u00c9 mesmo dif\u00edcil falar sobre uma pessoa que a gente reputa como um dos maiores compositores de todos os tempos e todos os lugares, uma pessoa que tem uma capacidade cr\u00edtica impressionante, uma sensibilidade emocional, e a habilidade e a propriedade de traduzir tudo isso em letras magn\u00edficas, com o emprego [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/738"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=738"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/738\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":765,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/738\/revisions\/765"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}