{"id":97,"date":"2023-08-28T20:15:16","date_gmt":"2023-08-28T23:15:16","guid":{"rendered":"https:\/\/ipsislitteris.com\/?p=97"},"modified":"2024-10-15T17:20:07","modified_gmt":"2024-10-15T20:20:07","slug":"um-almoco-de-sucesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipsislitteris.com\/index.php\/2023\/08\/28\/um-almoco-de-sucesso\/","title":{"rendered":"Um almo\u00e7o de sucesso"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 curioso como, \u00e0s vezes, parece que a atitude da gente em rela\u00e7\u00e3o a outra pessoa influencia a atitude dela com respeito a n\u00f3s, e viceversa: ontem, veio almo\u00e7ar em nossa casa, convidada pelo irm\u00e3o &#8211; o meu marido &#8211; a minha cunhada, de quem j\u00e1 falei algumas vezes. Eu j\u00e1 tinha me disposto a fazer um sacrif\u00edcio: aceit\u00e1-la e n\u00e3o revidar a seus desplantes de sabedoria, conhecimento e cultura, preconceito, qualidade e superioridade, bom gosto etc. (<em>n\u00e3o sei de onde ela tira essa conclus\u00e3o<\/em>), e assim fiz. Deste modo, ela n\u00e3o me pareceu t\u00e3o intoler\u00e1vel como de costume (<em>acho que ela tamb\u00e9m deve haver-se disposto a me aguentar &#8211; dado que as nossas avers\u00f5es devem ser rec\u00edprocas<\/em>). At\u00e9 lhe dei um presentinho, pelo seu anivers\u00e1rio, que foi no m\u00eas passado; ainda n\u00e3o nos hav\u00edamos visto desde ent\u00e3o. Dei para ela um batonzinho coral, de cor bem bonita, que me mandaram quando fiz algum pedido de cosm\u00e9ticos, mas era igualzinho de cor a um que j\u00e1 tenho, ent\u00e3o resolvi d\u00e1-lo a ela. Parece que ela gostou muito, pois foi ao espelho e se pintou com ele. O meu marido lhe deu uma garrafa de vinho, que ela tamb\u00e9m adora. Ent\u00e3o, a reuni\u00e3o at\u00e9 transcorreu numa tranquilidade espantosa, em um clima de muita paz e sem nenhum incidente. Depois do almo\u00e7o, por sugest\u00e3o do meu marido, fui jogar com ela &#8211; num \u201c<em>t\u00eate \u00e0 t\u00eate<\/em>\u201d- um jogo interessante que temos, e no qual ela \u00e9 quase viciada. Ainda no jogo, ela mostrou uma de suas caracter\u00edsticas que s\u00e3o a raz\u00e3o do meu desagradado e da minha incompatibilidade com ela: a de n\u00e3o assumir o que faz ou o que lhe acontece, e atribuir sempre aos outros a responsabilidade ou culpa do mal de que \u00e9 \u201cv\u00edtima\u201d: afirmou que tinha perdido no jogo &#8211; apesar de ter podido completar uma das s\u00e9ries que t\u00eam a maior pontua\u00e7\u00e3o do mesmo &#8211; porque eu interrompi o seu caminho; mas, eu tamb\u00e9m lhe apontei um caminho que ela me havia interrompido, ent\u00e3o ficamos quites. Tudo isso foi dito em um clima de gente civilizada, sem nenhum desentendimento. Mas, cada vez mais eu me conven\u00e7o de que ela \u00e9 mesmo quase insuport\u00e1vel. Tratei de comportar-me como se n\u00e3o a detestasse, porque fico com pena do meu marido, que sabe disso, mas tamb\u00e9m sente certos deveres para com a irm\u00e3, que neste dia estava sozinha em casa <em>(ela \u00e9 divorciada: acho que o marido literalmente n\u00e3o a aguentou)<\/em>, porque a outra irm\u00e3, que vive com ela, viajou por alguns dias com o marido. Dessa vez eu n\u00e3o rosnei, como costumo fazer <em>(eu tamb\u00e9m devo ser \u201cum osso duro de roer\u201d, que o meu marido aguenta)<\/em>. Meu marido e eu temos uma rela\u00e7\u00e3o longa, de quase 40 anos, mas nos amamos, n\u00e3o nos aborrecemos um do outro, nos admiramos mutuamente e pouco brigamos; temos alguns desentendimentos <em>(n\u00e3o somos iguais, portanto pensamos diferentemente)<\/em>, at\u00e9 fortes, mas isso n\u00e3o chega a atingir o afeto que sentimos um pelo outro. Somos meio insuport\u00e1veis, temos as nossas caracter\u00edsticas meio detest\u00e1veis, mas no nosso caso parece que a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o intensa e t\u00e3o s\u00f3lida que n\u00e3o se v\u00ea afetada por essas diferen\u00e7as. Acho que nossos tra\u00e7os abomin\u00e1veis n\u00e3o s\u00e3o do tipo que perturba o bom relacionamento que temos. Al\u00e9m disso, sentimos muita admira\u00e7\u00e3o um pelo outro, o que \u00e9 indispens\u00e1vel em qualquer relacionamento amoroso, penso eu. Enfim, posso dizer que foi um verdadeiro sucesso o nosso almo\u00e7o de ontem, que se prognosticava t\u00e3o dif\u00edcil! Acho que, na medida do poss\u00edvel, vou trat\u00e1-la como se ela fosse para mim uma pessoa \u201cnormal\u201d; sei que, se eu conseguir isso, vai agradar tamb\u00e9m ao meu marido. N\u00e3o \u00e9 que ele a queira tanto: eles s\u00e3o muito diferentes e chocam em suas opini\u00f5es e comportamentos. Ele \u00e9 uma pessoa dif\u00edcil, de car\u00e1ter forte, mas \u00e9 muito racional e justo, ent\u00e3o \u00e9 por isso que eu o adoro e me dou t\u00e3o bem com ele!\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, enfim, o almo\u00e7o transcorreu num clima de muita paz <em>(como uma tr\u00e9gua \u2013 onde ficam suspensas todas as hostilidades!)<\/em> e harmonia. Mas isso sempre exige um forte exerc\u00edcio de compreens\u00e3o e toler\u00e2ncia, que n\u00e3o \u00e9 o exatamente o meu forte, por isso n\u00e3o sei se sempre estarei disposta a empregar sempre a paci\u00eancia e a toler\u00e2ncia. Vou ter que guardar minhas unhas afiadas para outra oportunidade, que exija mais essas armas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 curioso como, \u00e0s vezes, parece que a atitude da gente em rela\u00e7\u00e3o a outra pessoa influencia a atitude dela com respeito a n\u00f3s, e viceversa: ontem, veio almo\u00e7ar em nossa casa, convidada pelo irm\u00e3o &#8211; o meu marido &#8211; a minha cunhada, de quem j\u00e1 falei algumas vezes. 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